De domingo para segunda demorei para dormir, ainda habituado as férias. Como não tinha nada mais interessante na televisão resolvi buscar uma pauta para o blog e encontrei algo que há tempos quero escrever. A baixa qualidade dos programas da Igreja Universal.
É sabido que boa parte da receita da Record provêm dos espaços que a Igreja compra na emissora, que é dela mesma. É um processo semelhante ao SBT veicular comercial da Tele Sena. Um produto do mesmo grupo, que paga para estar ali. No caso da Record é até caso de investigação, pois seguramente é uma espécie de lavagem de dinheiro, afinal palavras de auto-ajuda não figuram em notas fiscais de "prestação de serviço" para justificar a entrada do dinheiro.
Eles já processaram grandes veículos e importantes jornalistas por falarem sobre o comércio que existe dentro dos tempos dele e eu mesmo já tive a oportunidade de presenciar muita coisa - e não só na Universal, mas na Igreja da Graça, do pastor RR Soares também.
Mas voltando a falar da baixa qualidade das produções. Eles precisam melhorar o casting, tem que contratar gente que saiba falar melhor, precisa dar uma investida no figuriro, afinal os fiéis do senhor, segundo a Bíblia, precisam andar apresentáveis e não é assim que aquelas pessoas que dão testemunho nos programas da madrugada podem ser classificadas.
Não é possível me dizer que todas aquelas histórias são verídicas. É humanamente impossível todas aquelas conquistas em tão pouco tempo. Claro, é humanamente impossível, mas "para Deus tudo é possível", segundo as pregações deles, não é mesmo?
Mas será que Jesus Cristo vai na Receita Federal, na Jucesp e na Prefeitura carimbar, com prioridade, o documento daquelas pessoas? Praticamente todos os depoimentos que vi na madrugada de segunda eram de fiéis que estavam na igreja há dois, três meses, que tinham chegado "derrotados e falidos" e venceram. "Recuperei minhas duas fábricas, comprei um apartamento e estou comprando mais uma casa", disse um. Em dois meses há tempo hábil para a burocracia disso tudo? Óbvio que não.
E se for analisar é sempre usadas as mesmas frases, as mesmas expressões. As pessoas são entrevistadas dentro de seus carros, para tentar imprimir verdade naquelas conquistas. "Carro do ano" é uma expressão bem comum entre eles. Frases de impacto que a psicologia explica o sucesso delas. Coisas como "eu venci", "eu comprei" e as ostentações do tipo "viagens internacionais", "cruzeiros" e ainda um senhor de cinquenta e poucos anos dizendo que até os 30 vivia em pensão e que era milionário agora. Disse que havia acabado de comprar uma casa de mais de um milhão de reais. E o cinegrafista dando uma panorâmica de sua Tucson, que ele ainda disse que era o carro "mais simples" que tinha.
Zapeando, num outro canal, que nem lembro exatamente o nome da igreja, um pastor pedia oferta dos fiéis-telescpectadores para continuar comprando aquele espaço na televisão. "Pode ser deposito em conta ou cartão de crédito" e completava afirmando que "para ofertas acima de R$ 30 enviarei um livro meu". É oferta ou compra de livro? E se ofertar e Deus não abençoar, pode pedir extorno ligando na Visa ou na Redecard?
Em uma reunião que a Universal faz, às segundas-feiras, para empresários, eles são categoricos em dizer "quero 70 pessoas aqui na frente para dar R$ 1.000,00 cada uma" e enquanto não atingem esse número - ou meta? - não param. Depois pedem mais uma quantidade de pessoas que possam dar R$ 500, mas essas não vão subir ao púlpito, apenas vão ficar na frente e depois desta segunda leva de fiéis - consumidores de palavras de auto-ajuda? - pedem qualquer quantia, até apelarem para relógios, correntes e correlatos.
Infelizmente o Brasil está repleto de gente ignorante, sem discernimento para entender o processo de alienação utilizado e caem em suas armadilhas, onde até o único carro tem gente que esperando dois carros, como prova de que Deus não deixa um filho seu na mão. E quando algum pobre fiél vai chorar com o pastor porque Deus não o "deu em dobro" ou "não abençoou" a justificativa é "mas você ainda está em pecado" ou ainda "há pecadores na sua tenda".
Essas igrejas são grandes
cases de dar inveja até para Roberto Justos, Washington Olivetto e Nizan Guanaes. E falo tudo isso não apenas baseado em programas de televisão, mas por uma rápida vivência neste universo e posso afimar que fora das câmeras a coisa é ainda mais apelativa. Será que dá para ser mais? Sim, garanto que dá. Estão apenas trabalhando as estratégicas de mercado, encantando o público-alvo e obtendo o que querem: dinheiro.
Eu acredito que fé e crença não é medida através do saldo bancário e sim daquilo que cada um resolver acreditar. Sou cético sim, dessa indústria que nasceu nos anos 90 e ganhará ainda mais força nesses tempos de crise econômica mundial e não será "Corrente dos 318 Pastores" que vai livar o mundo das provações que ele terá de passar.
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